Recentemente, li um
texto da autoria de Lenio Streck, intitulado Ainda podemos
indagar por quê ou até isso é obstrução da justiça?, na Coluna Senso Incomum; lembro-me
bem as palavras que me chamaram atenção: “Tempos difíceis... Discursos
perigosos se multiplicam, dia a dia [...]”. Realidade nua e crua, livre de
qualquer máscara que faça bem aos olhos e ouvidos do povo brasileiro.
Ao
passo que Lenio aborda a transformação do Direito, exibindo uma visão que nos
leva a enxergar a verdadeira mudança comportamental dos alunos, ressalte-se que
não apenas nas salas de aula, mas observados no momento em que proliferam
argumentos prontos, sem qualquer entendimento ou base sólida. Me coloco a
pensar: Será que é esse o nosso destino?
Nossa
Constituição Federal está em vigor há exatos 29 anos, tomo a liberdade para
dizer que uma das mais belas constituições do mundo: poética e repleta de
garantias (que nos faz sentir muito especiais). Entretanto, infelizmente,
vivenciamos uma verdadeira crise política, econômica e social, extremamente
frágil, compreendo que amar a nossa Carta Mãe vai além de um exercício
ufanista, move o nosso próprio interior, assim nos faz duvidar da nossa própria
cidadania. Acho que por isso tenho ouvido tantos discursos de pessoas
desinformadas, que clamam por uma intervenção militar.
Paro
um pouco.
Penso.
Chego
à conclusão de que, quem dobra os joelhos e pede por algo desse tipo, não
entende a democracia, talvez entendesse se pessoas que nunca vivenciaram uma
democracia falassem coisas desse teor. É essa mesma sociedade que clama por uma
ditadura, que sequer leu ou vivenciou – de qualquer forma que seja – os 21 anos
de repressão que nos calou.
Volto
a mencionar, e compreendo a impecável colocação de Lenio Streck, pois são
nesses tempos difíceis que os desinformados devem buscar saber o que nunca
interessa, para que não corramos o risco de rasgar as páginas da nossa
Democracia em forma de Constituição, objetivar fazer diferente, buscar
coloca-la em prática, desde os primeiros minutos de vida de cada cidadão
brasileiro.
Talvez,
assim, possamos deixar de ser piada pronta.