segunda-feira, novembro 06, 2017

Apenas um desabafo democrático

Recentemente, li um texto da autoria de Lenio Streck, intitulado Ainda podemos indagar por quê ou até isso é obstrução da justiça?, na Coluna Senso Incomum; lembro-me bem as palavras que me chamaram atenção: “Tempos difíceis... Discursos perigosos se multiplicam, dia a dia [...]”. Realidade nua e crua, livre de qualquer máscara que faça bem aos olhos e ouvidos do povo brasileiro.
Ao passo que Lenio aborda a transformação do Direito, exibindo uma visão que nos leva a enxergar a verdadeira mudança comportamental dos alunos, ressalte-se que não apenas nas salas de aula, mas observados no momento em que proliferam argumentos prontos, sem qualquer entendimento ou base sólida. Me coloco a pensar: Será que é esse o nosso destino?
Nossa Constituição Federal está em vigor há exatos 29 anos, tomo a liberdade para dizer que uma das mais belas constituições do mundo: poética e repleta de garantias (que nos faz sentir muito especiais). Entretanto, infelizmente, vivenciamos uma verdadeira crise política, econômica e social, extremamente frágil, compreendo que amar a nossa Carta Mãe vai além de um exercício ufanista, move o nosso próprio interior, assim nos faz duvidar da nossa própria cidadania. Acho que por isso tenho ouvido tantos discursos de pessoas desinformadas, que clamam por uma intervenção militar.
Paro um pouco.
Penso.
Chego à conclusão de que, quem dobra os joelhos e pede por algo desse tipo, não entende a democracia, talvez entendesse se pessoas que nunca vivenciaram uma democracia falassem coisas desse teor. É essa mesma sociedade que clama por uma ditadura, que sequer leu ou vivenciou – de qualquer forma que seja – os 21 anos de repressão que nos calou.
Volto a mencionar, e compreendo a impecável colocação de Lenio Streck, pois são nesses tempos difíceis que os desinformados devem buscar saber o que nunca interessa, para que não corramos o risco de rasgar as páginas da nossa Democracia em forma de Constituição, objetivar fazer diferente, buscar coloca-la em prática, desde os primeiros minutos de vida de cada cidadão brasileiro.
Talvez, assim, possamos deixar de ser piada pronta.